Cinema que ninguém vê

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Beau travail

” A respigadora e os respigadores”

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No quarto de Vanda

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No quarto da Vanda não é o melhor filme sobre toxicodependência….é o único filme sobre isso!!

Na altura em este filme ve viu andava na berra outro filme do mesmo tema…o Traffic do Steven Soderberg ora eu até reconheço que o gajo mudou alguma coisa em Hollyhood e mudou para melhor claro, que pior era dificil fazer!…mas eu fui ver No quarto da Vanda antes e aquilo pareceu-me o que é…..uma hora e meia pretenciosa, cheia de politiquices vagas e inconsistentes, imaginações sobre paises de terceiro mundo com figuras pálidas, os generais do costume e lamechice habitual!

No quarto da Vanda a droga fala na primeira pessoa, através dos toxicodependentes…reais, concretos sem adereços nem coisas pindéricas!…é a droga dos bairros, dos esquemas e das dores….das mocas, das doenças e das maselas. O Pedro Costa faz aqui uma coisa que pouco se via na altura, o cinema documental, mas num sistema experimental…sem narrador, sem investigação sem nem mas porquê….filma, apenas…e filma e filma. Calhou ir ver o filme na estreia e estavao realizador presente para conversar depois da sessão…o total de horas filmadas eram mais de 140 e ele fez uma montagem com a selecção que lhe pareceu melhor.

Ali há de tudo…e conseguimos estar a rir a bandeiras despregadas e quase às lagrimas e com um nó na garganta, vamos oscilando ao sabor da vontade do realizador e tudo isto sobre a verdade, pura, nua e crua sem eufemismo, aforismos e outros ismo!…Fabuloso!

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Regarder le mer e sur la sable

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François Ozon toda a gente conhece…. e ainda bem que assim é porque é um dos grandes realizadores franceses do nosso tempo. Quem não conhece por exemplo o “8 Femmes”, o “Swimming pool” ou o “5×2” e mais recentemente o “Temps qui rest”?…São filmes do melhor que há!

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Eu por mim tive a uma estreia na camada de OZON absolutamente inesperada! Comecei por ver o inicio da obra dele, a primeira longa metragem. Isto é engraçado porque eu nem sequer estava numa de ver nascer um bom realizador, o que deu foi para exorcizar duma vez a minha homofobia juvenil e então decidi ir ver alguns eventos do festival de cinema de gays e lésbicas em lisboa!….é verdade! Fui espantar coisas saloias e acabei por encontrar um talento emergente….são as vantagens de fazer um esforço por ser menos provinciano!

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O Regerder le mer é um filme simples…uma estória interessante sobre uma mulher que vive com a filha, ainda criança, nu macasa isolada junto de uma praia. Uma estrangeira que passa pede para montar a tenda no quintal durante uns dias e apartir daí vai aumentando a tensão….na medida em que a relação entre as duas e os acontecimentos de vão desenrolando. O mais interessante é a sugestão lésbica implicita….o caracter muitissimo sexual da tensão do filme e o seu contributo para algumas cenas boas que lá ficam gravadas para quem quiser ver.

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Já o Sur le sable fui ver de propósito mas sem saber que era realizado pelo François Ozon, quando numa conversa mais tarde me falaram nisso pensei que estavem a dizer um disparate…aquilo nem sequer é falado em françês e mais a mais se fosse do gajo eu sabia! Mas é…e provavelmente vai ser dificil superar um exercicio destes…a acção gira em torno do desaparecimento de um homem e o processo de desagregação e isolamento da mulher, processo que quase a leva a um estado de loucura. Esta escolha de centrar o filme aqui, ao invés da acção policial ou outro assunto lateral, faz com que o trabalho de actor seja a ferramenta única do realizador e isto é….muito dificil.

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Adoro este tipo de coisas….em que sob circunstâncias durissimas, de ruptura total, de desintegração da estrutura de sentimentos….uma personagem consegue sair bem tratada, dignificada e no filme consegue-se isso mesmo!

A não perder mesmo.

Kandahar

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MOHSEN MAKHMALBAF

 

…este filme é também uma “coisa que se veja”, hoje não estou com paciência para sinopes e mais a mais o site oficial é aqui

e portanto….é passar por lá, o Kandahar é daqueles filmes que eu não me esqueço porque tem a sequência mais brilhante que me recordo de ver na tela dos sonhos!….não sei se repararam mas o realizador é o pai da Samira que realizou o Quadro Negros….que anda por ai mais em baixo!

…o filme é todo ele razoável, interessante sobretudo para nós que não conhecemos aquelas paragens e ficamos a ver situações aparentemente intrigantes, reacções estranhas de pessoas improváveis….mas é para nós que lá não andamos a viver todos os dias como eles….por isso não achei fabuloso….olha…achei “bom de ver”…um filme devagar…que não obriga o espectador a nada….mesmo como eu gosto.

 

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…e então no meio daquilo aparece uma cena tremenda…uma coisa especial…..ás páginas tantas a acção está a desenrolar-se num posto do crescente vermelho….se não me engano! Seja como fôr é uma tenda de apoio humanitário onde estão dezenas de mutilados de guerra em suplicas de minarete que no seu conjunto produzem um ruido, um timbre de verborreia pardacenta e desagradável…. é um desespero unissono de vozes que no fundo são brutalmente adversárias, cruelmente postas em confronto….pernetas, indigentes…cobertos com uns trapos velhos e agarrados a muletas desemparelhadas, …. é um plano fabuloso…povoado com figuras iverosimeis numa actividade impensávelmente indigna….é absurdo como só a realidade consegue ser!

No meio deste cenário….absolutamente cru!…despretencioso….sem maneirismo nem tiques….surge uma avioneta que passa uma circular àquele “coliseu do surrealismo”…e larga proteses…assim….despeja proteses…com paraquedas minúsculos e tudo isto vai deslizando suavemente pelo ceu azulissimo em direcção a um deserto de areia amarela….numa espécia de tempo suspenso….um pastiche excessivamente calmo, incomodativo até e no entanto absolutamente imaculado, ausente, alvo, candido…eu sei lá!….enquanto isto anda assim aquela turba de indigentes vai frenéticamente, como pode….aos tropeções de deficiente…largando muletas e tralhas pelo caminho….rastejando, esperniando e por todos os processos ao seu alcance tentando apanhar uma perna postiça que desce aos desmandos duma brisa imprevisivel…..é uma sequência colossal!…..um quadro único….. é uma coisa que tem mesmo de se ver!

 

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The passion of Anna

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Isto é uma coisa imperdivel!….a estória é é tão honesta, tão real que se chega a entrar para dentro da tela!

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….é de ver….coisa mimosa!…do bergman claro!!

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UM TEMPO PARA CAVALOS BÊBADOS

…ora ai está uma obra que vale a pena vêr!

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Realizador

BAHMAN GHOBADI

“No Curdistão Iraniano, perto da fronteira com o Iraque, cinco irmãos e irmãs vivem sozinhos e sozinhos têm de subsistir e assegurar as suas necessidades.

O mais novo sofre de uma grave doença. Os medicamentos que ele tem de tomar são caros e o médico diz que precisa de ser operado rapidamente para que possa sobreviver.

Apesar dos esforços dos mais velhos que multiplicam os pequenos trabalhos, a família não tem meios para assumir os custos da operação.

A irmã mais velha aceita casar-se com um iraquiano disposto a ajudá-los e a financiar a operação da criança no Iraque. Mas na fronteira, a família do futuro esposo recusa-se a levar o doente e, em troca, oferecem-lhe uma mula.

O irmão mais velho regressa ao Irão com o mais pequeno, mas o tempo para a operação continua a passar… “

Este tipo de filmes vale a pena….os miudos no meio daquela sofreguidão e existe quem lhes valha….um tipo oferece um lugar de transportador aquela criança….isto para nós é horrendo! É trabalho infantil e preferiamos deixar morrer os dois á fome….mas enfim, acaba que o miudo fica com o oficio de transportar com uma mula contrabando para o outro lado da fronteira.

Fala-nos da maneira como aquela civilização se relaciona….as miudezas daquilo tudo. O titulo é uma coisa interessante que tem que ver com uma prática destes carregadores, quando faz frio de morte, para os cavalos e mulas fazerem grandes caminhadas de madrugada….pelas montanhas, caminhos clandestinos e outras coisas atrozes para os pobres animais, os carregadores embebedam as bestas!

Bom filme….muito bom!

Esta mimosa seca é uma das grandes obras do cinema que ninguém vê!…Quadro Negros da Samira Makhmalbaf.

«O QUADRO NEGRO nasceu do encontro de uma ideia e um lugar.

 

A ideia vem do meu pai, Mohsen:

 

ele tinha na cabeça aquela imagens dos professores carregando os seus quandros

 

e tentando difundir os seus ensinamentos.

 

O lugar, são as paisagens do Curdistão,

 

que me provocaram o desejo de filmar,

 

e a intuição de fazer circular ali esses famosos quadros negros. »

 

 

…esta é descrição da trama..

“Um grupo de professores, todos homens, atravessam os caminhos montanhosos de uma região remota do Curdistão Iraniano. Carregam grandes quadros negros às costas, viajam de cidade em cidade à procura de alunos. O ruído inesperado e ameaçador de helicópteros sobre as suas cabeças força-os a procurar refúgio perante um inimigo que não podem ver…

Um professor, Reeboir, aventura-se, afastando-se dos outros e depara-se com um grupo de rapazes adolescentes que se arriscam ao transporte de contrabando de bens entre o Irão e o Iraque. Reeboir tenta convencer os jovens das vantagens de aprender a ler e a escrver, mas nenhum deles está interessado. Não há tempo para ler. Estão demasiado ocupados em arriscar as suas vidas para sobreviver…

Said, outro professor que agora viaja sozinho, chega a uma vila aparentemente deserta. Ninguém responde à sua chamada, oferecendo os seus serviços como professor. Ele insiste, mas a única resposta que obtém são portas e janelas a bater… Mais tarde, Said encontra uma grupo de aproximadamente cem pessoas, homens velhos, acompanhados apenas por uma jovem mulher e uma criança. Também eles estão fechados e desinteressados de aprender. Cansados e zangados, os velhos continuam à deriva, tentando regressar à sua terra natal para morrer em paz… Um deles sente que só vai encontrar paz se a sua filha, Haleleh, casar antes da sua morte. Said nada tem para oferecer, de dote, senão o seu quadro negro…

“…é um filme mágico sobre um mundo que não é o nosso mundo, sobre uma gente que não é a nossa, num tempo que é hoje…fabuloso!….é coisa que se veja….é um bilhete que vale os 5€!

4 comentários Add your own

  • 1. tovorinok  |  Julho 5, 2007 às 12:24 pm

    Hello

    Great book. I just want to say what a fantastic thing you are doing! Good luck!

    G’night

    Responder
  • 2. adorei  |  Janeiro 11, 2010 às 2:25 am

    olá. gostei de ler tudo o que aqui escreveu.
    acabei de me levantar da cama… estive a ver ” a historia do camelo que chora” .. nao só os camelos que choram, tbm me emocionei, nao pensei que fosse assim. adorei o filme… e vem acompanhado pelo filme que mencionou ” um tempo para cavalos bebados”, terei que ver amanha porque está tarde.
    mas acho que daqui, deste site, já saio com uma lista porreira de filmes a ver antes de morrer.

    obrigada.

    catarina

    Responder
  • 3. pedromoraiscardoso  |  Janeiro 16, 2010 às 7:58 pm

    ….espero que se divirta….são alguns dos melhores filmes que se podem ver!

    Responder
  • 4. Catarina Duarte  |  Fevereiro 12, 2014 às 12:46 pm

    Olá viva.
    Tenho dois filmes mencionados. O quadro Negro e Um tempo para cavalos bebados.

    Recomendo o filme: Os camelos também choram.

    Responder

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