Talento com recursos!

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Nós, os Portugueses, somos dados a à simplificação da dúvida! Gostamos do dramatismo e descartamos a complexidade daí que as escolhas que sempre fazemos estejam reduzidas a duas hipóteses, regra geral antagónicas, é uma herança sociológica se assim quisermos ver!

Os Portugueses nunca decidiram eficazmente se era pior a Troika ou o Governo, para nós a arquitectura nacional é uma disputa entre o Souto Moura e o Siza Vieira e comentario politico é um “mano-a-mano” do Marcelo com o Socrates. No desporto não e diferente e se para o meu Avô a dúvida era se o Pelé era melhor que o Eusebio, para o meu Pai era saber se se Quaresma era mais fenomenal que o Ronaldo, para mim já se põe outro problema….devemos mandar o Eusebio para o Panteão como melhor futebolista de todos os tempos ou esperamos que o Ronaldo “bata a bota” e depois decidimos? 

 

Fazer o quê?…afinal todos temos orgulho de ser Portugueses e estas coisas são o reduto mais granítico da nossa nacionalidade. A indecisão simplificada é uma marca nacional, devíamos meter o Carlos Coelho a comercializar isto! Se a coisa não correr como pensamos podemos sempre (entre as duas únicas hipóteses que geralmente admitimos como boas) aplicar um desconcertante “Isso é tudo farinha do mesmo saco” ou um “Venha o diabo e escolha”, sim porque escolher para nós é matéria de “preto ou branco”, de “azeito ou vinagre”.

Meditações à parte e falando do que realmente me apetece falar neste momento o a dúvida parece ser entre o Vasco Ribeiro e o Frederico Morais. Ora eles não são nem antagónicos nem me parece que escolher um seja em detrimento do outro.

O Vasco e o Kikas são dois dos maiores talentos que Portugal já viu em qualquer desporto e o seu aparecimento no mesmo lugar e no mesmo tempo é um coincidência que pode levar o surf nacional a lugar que nunca sonhou.

No entanto, e existe sempre um “no entanto” parece-me, em contracorrente com a espuma dos dias e com os sensacionais feitos recentes do Kikas, que o Vasco Ribeiro é o mais vibrante entre os mais fortes o “primus inter pares” no sentido clássico do termo.

 

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Não queria entrar em comparações porque teria de desvalorizar o Frederico Morais e isso não seria útil nem agradável e para dizer a verdade não seria fácil, assim prefiro relembrar o que anda um pouco esquecido ou menos vívido nos últimos meses, o enorme talento e capacidade competitiva única do vasco Ribeiro.

 

O Surf do Vasco Ribeiro é dos mas completos que já viram em Portugal, surfa bem em ondas de bom tamanho, de backside, por dentro de tubos ou com manobras poderosas, tem um jogo aéreo dificilmente comparável em competição e seria absurdo uma pessoa como eu comentar a esse nível o que de vem faz, existem grandes treinadores e especialistas que poderão melhor dizer o que o Vasco tem como argumentos nos vários tipos de onda.

 

Mas há uma ou duas coisas que me permito comentar.

 

O Vasco Ribeiro tem para mim a qualidade mais importante num surfista de competição, e para esse efeito em qualquer atleta de competição…a capacidade de mudar o rumo, o trajecto de uma bateria! Por isso me parece ser o mais vibrante e o mais propenso ao sucesso.

 

Lembro-me antes de escrever os textos sobre os mundiais pro junior (tanto os da ISA como os profissionais) de acompanhar o trajecto do vasco durante esses eventos e ninguém até hoje se lhe compara. Nos ISA surfing games em 2011 o Vasco meteu um surf tão consistente que trazer a medalha de prata soube a muito pouco sobretudo nesse ano que algumas das selecções se encontravam no pico de maturidade. No meio de Conner Coffin, Ezequiel Lau, Keanu Asing, William Allioti, Matheus Navarro ou mesmo Ramzi Boukaim o Vasco era a estrela maior e perdeu para um Peruano qualquer numa daquelas que acontecem de vez em quando. 

 

Os heats do Vasco Ribeiro ao mais alto nível tomaram expressão ainda mais convincente numa sequência de eventos em que se sagrou campeão nacional pela primeira vez (mais jovem campeão de sempre) num circuito que teve toda a gente a 100% (Lipke, Gony, Von Rupp só para citar alguns), passou depois pela tal medalha de prata na ISA, dois eventos incríveis (World Junior Championship) em Bali e na Austrália que ficou em 5º sempre a virar heats com notas altíssimas, nessa sequência toda a gente se lembra da chagada em cima da hora e com “jet leg” directo para a primeira prova da Liga que acabou em segundo com o Kikas a vencer, ambos muitos furos acima de qualquer surfista naquele fim de semana (Saca incluído). Vitória na segunda etapa no Guincho com algumas das melhores ondas que vimos e um nível dentro de água brutal! Nova vitória no Porto, em meio metro “on-shore” e de backside e finalmente uma viagem à Africa do Sul e um estrondoso 5º lugar e uma nota 10 pontos na direita de J-Bay com sólidos dois metros e um tubo bom em qualquer evento em qualquer praia do mundo!

Estes seis meses de que falo mostraram a melhor face do Vasco, sempre composto, dominador e bem educado na comunicação com a “media” e com os fans. Senhor de bom surf em qualquer mar e em contra qualquer adversário juntando uma criatividade e um explosão que fazem dele um competidor imprevisível mas simultaneamente bem preparado e com controlo absoluto do andar do relógio e da gestão que é preciso saber fazer dentro de água.

 

Ultimamente o “Vasquinho” tem estado mais de “fora”, o ano passado foi fraco em títulos e em performances. Uma lesão menor pareceu também atrapalhar um pouco mas competidores com este talento e esta sede de vencer, gente com esta capacidade de “pegar no jogo” quando as coisas não correm bem nunca fica muito tempo afastada dos grandes palcos. Vi muitas vezes o vasco precisar de 8pts para voltar a um heat e quase sempre nessas ocasiões o seu surf e sua atitude meteram nota excelente e viraram as coisas para o seu lado, o lado dos vencedores!

 

Neste interregno é isso que vai acontecer um dia destes vamos ser surpreendidos por uma classificação que só está ao alcance dos melhores do mundo e novamente voltaremos a ter noticias regulares e entusiasmadas por todo o lado!

 

 

 

 

Janeiro 14, 2014 at 4:05 pm Deixe o seu comentário

Haneke, coisas para ver!

Michael Haneke

Regressei à cultura, mais concretamente a Michael Haneke, por 3 razões de uma simplicidade assustadora. A primeira porque saiu o “amour” com imenso estrondo e tinha de o ver!

A segunda é porque precisava, muito, de sair do universo que ando literalmente mergulhado de minudências desportivas, super egos e talentos raros, raros no sentido de escassos!

A terceira e mais relevante, por que desde sempre fiquei com uma dúvida, daquelas dúvidas estúpidas, persistentes e que por qualquer razão gostamos de nos agarrar a a elas nunca promovendo uma dissolução.

A estas dúvidas eu chamo carinhosamente de “plausibilidade para uma ignorância óbvia”, tenho várias e cultivo-as!

Esta dúvida prendia-se com o facto de sempre ter achado que Michael Haneke era uma mulher, Francesa! Não tinha nenhuma dúvida disso até ter saído o “White Ribbon” em que a celebrar o feito aparecia um tipo com ar de cretino, falando um Alemão quadrado com uma barba farta e mal organizada!

Ora isto precisava de ser explicado!

Vai daí que fui ver a filmografia completa de Haneke!

Fazendo uma leitura rápida e pouco profunda posso tentar distinguir várias coisas a primeira uma certa obsessão pela realidade.

No inicio vem uma “triologia” sobre casos verídicos ou vagamente reais que mostram um lado obscuro da natureza humana uma realidade para lá da ficção, que vai além da imaginação.

O sétimo continente (1989), Benny`s Video (1992) e 71 Fragmentos de uma cronologia ao acaso (1994)

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São todos excelentes registos, o tom monocórdico sem grandes picos de emotividade que caracteriza a trama e sobretudo a sua interpretação pelo realizador vê-se logo aqui!

São histórias horrendas da natureza humana tratadas com a calma e com o sangue frio de quem não se importa muito com o que se está a passar e se interessa antes pelo plano, pela côr e sobretudo por não transmitir nenhuma emoção que perturbe o espectador na sua leitura do filme!

…é muito bom! A não perder sob qualquer pretexto! Sobretudo o Sétimo continente…uma obra prima de plano em plano!

O Castelo (1997)

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Confesso que vi o filme sem saber nada dele, e logo no inicio achei aquilo tudo kafkiano e sem originalidade, quase desisti de ver! Foi bom esperar pelo fim para perceber que é de facto baseado na obra do autor (Kafka). Ainda não li o livro mas terei de fazê-lo para perceber a qualidade com que Haneke trabalhou naquela altura!

Uma coisa conseguiu, fazer passar esse sentimento kafkiano para a tela!

Funny Games (1997) e Remake (2007 USA)

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Confesso que estou a caminho de ver o primeiro de noventa e sete, mas o segundo é MAGNIFICO! Um daqueles filmes que nos dão uma perspectiva única sobre a forma de ver e fazer cinema. A pureza e clarividência com que está filmado, a crueldade e crueza com que a trama se desenvolve são notáveis!

Também aqui tem um aspecto curioso, a meio do filme somos abordados directamente pelo actor, de frente para a “tela” e falando em discurso directo com espectador, esses breves momentos quebram a ilusão de que tudo aquilo é real e dão igualmente uma…não diria profundidade mas certamente uma nova dimensão ao cinema! BRILHANTE.

Vi num documentário que o mesmo Haneke foi surpreendido de igual forma numa das suas primeiras idas ao cinema e aquilo o desiludiu de forma enorme, ele pensava que estava num plano de realidade e de repente o actor quebrou essa magia! Aqui faz-nos a mesma coisa, com uma qualidade impressionante.

Esta é a parte que queria falar desta icónica figura do cinema! O resto é conhecido e muito visto!

A Pianista é um dos melhores filmes jamais vistos, Code Inconnu é brilhante, o tempo do Lobo é uma excentricidade afirmativa…Caché é de uma qualidade rara e vai beber a todos os bons filmes anteriores e claro os últimos dosi são filmes de academia ( White Ribbon e Amour).

Agora quanto à minha dúvida! Isso!

…bom a dúvida é simples, na mesma altura em que comecei a ver Haneke saiu  um filme brilhante “A ma souer”, com um final cruel e inesperado. Na altura ficou-me aquilo na cabeça e sabia ser de uma realizadora Francesa, por uma qualquer associação de ideias achei que era Michael Haneke e desde aí para mim esse filme era dessa brilhante realizadora francesa que depois fez o Code Unconnu e a Pianista e o tempo do Lobo….filmes marcantes na minha vida!

Pois desfiz essa dúvida, a brilhante realizadora é a Catherine Breillard que certamente preencherá algum do meu tempo nas próximas semanas!

Maio 7, 2013 at 12:36 pm Deixe o seu comentário

p`la sua saudinha!!

cirurgia2

Estávamos tranquilamente a tomar o café após o jantar, a Rita e eu, naquele limbo televisivo em que geralmente terminam os dias de trabalho, assim numa meia sonolência preenchida de imagens comentadas sem grande interesse e que servem sobretudo como malha de fundo para os pensamentos divagadores sobre o que certo sujeito disse horas antes

Continue Reading Agosto 21, 2009 at 10:26 am Deixe o seu comentário

chefchaoen blues!

chefchaoen Blues!

Maio 23, 2009 at 10:48 am 1 comentário

self portrait

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Março 30, 2009 at 5:22 pm Deixe o seu comentário

crer!

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Março 30, 2009 at 5:10 pm Deixe o seu comentário

Inside tourist!

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…enquanto ressacava a feelwoman voltei às fotos! Voltei às ruas de alfama, voltei a ser “flanneur” na minha cidade…uma espécie de turista em casa!

Continue Reading Março 28, 2009 at 9:04 pm Deixe o seu comentário

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