Alguma coisa tem que mudar!

Dezembro 10, 2008 at 5:42 pm 1 comentário

ans1

…para que tudo fique como está!!….esta é a melhor forma de definir o novo enquadramento da ANS (Associação Nacional de Surfistas) para o circuito de 2009….não me parece que alguma vez tenha falado de surf e de surfistas neste blogue, excepto quando mencionei o facto de ter entrado na água após 11 anos de ausência. A verdade é que este tema sempre me foi querido, eu fui muito anos dirigente desportivo, atleta de competição e até dos primeiros treinadores em Portugal, isto no Bodyboard como está claro.

No Bodyboard sempre fez sentido a criação de um organismo autónomo da F.P.S. (Federação portuguesa de Surf) na medida em que esta era tutelada sobretudo por gente mais ligada ao surf, relegando sempre para segundo plano, como se de uma modalidade derivativa se tratasse, o Bodyboard.

Naquele Tempo o Bodyboard começava a despontar e caminhava para ser um desporto de massas, menos técnico que o surf, mais virado para a diversão, acessível a toda a gente. Foi no tempo em que o marcelo rebelo de sousa e o Marques Mendes apareciam de prancha por baixo do braço…a divertirem-se…aquilo até para politicos dava e na federação pouca atenção se prestava ao desporto.

O nascimento da APB em 95, salvo erro, foi a ponta final de movimento de bodyboarders que reivindicavam campeonatos separados dos de surf, critérios de julgamento diferentes, juízes especializados, circuitos autónomos e organizados por promotoras, diferenciação e estimulo para clubes e associações só do desporto…enfim uma serie de coisas que importavam na altura e que hoje são uma realidade!

Os surfistas viram neste nascimento uma oportunidade, o Grego, na altura ainda um miúdo simples que ambicionava fazer surf toda a vida percebia muito do que fazíamos porque andava sempre na praia com Bodyboarders, de resto muitos surfistas e bodyboarders da antiga estavam juntos na organização de campeonatos regionais e assim os surfistas viram aqui também uma oportunidade para criarem um organismo que tutelasse as suas provas, uma forma de sair do ciclo vicioso em que a então direcção da FPS, leva amordaçada qualquer tentativa de democratização do desporto! As nossas intenções sempre foram diferentes, nós queríamos a liberdade do desporto e ainda achamos que o que faz sentido é uma Federação de Bodyboard que se relacione com o estado e que junto da Tutela consiga apoios directos para a modalidade, sempre quisemos um crescimento sinérgico mas independente, como de resto deveriam ser os de outras modalidades que constam do objecto da FPS ( Skyming e Skate sobretudo).

Os surfistas uniram-se e como sempre nestas coisas, sem palhaços não à circo! Boicotaram sistematicamente as provas da FPS até esta se vergar a um protocolo em tudo semelhante (na lógica) ao da Liga de Clubes, no tempo em que ainda era denominado de organismo autónomo. Foi uma luta brilhante! Os surfistas marcaram ali para sempre o futuro da modalidade, que apesar de não ser brilhante, pelo menos não é tão condicionado como seria se tivesse tudo ficado como estava!

Ora hoje em dia a ANS controla uma serie de circuitos relacionados com a modalidade mas não controla o “core” do desporto, a ANS não decide como devem ser conduzidos os destinos de clubes e associações que metem ou deveriam meter (como o faziam nos anos 80 e 90) centenas de jovens no rumo da competição, não decide ou controla o que se passa no mercado da instrução, seja ela surf schools ou curso de técnicos. A ANS controla apenas os destinos do Circuito Nacional como de resto o organismo autónomo apenas controlava a Primeira Liga. É muito pouco!…e é pena!

Assim temos que este corpo de gente útil, tenta por todas as maneiras possíveis fazer com que em primeira instância o circuito exista e depois que seja bom…entende se por bom circuito um conjunto de 5 a 8 provas, espalhadas por todo o território nacional, que não tenha provas canceladas, que tenha algumas ondas e que apenas se decida na ultima prova. Entende se também por bom, um circuito que tenha infraestruturas com contentores ou outros, zonas de descanso para atletas, bons sistemas técnicos e tecnológicos e com boa promoção!…ora muitas vezes isto não é possível, e não é possível não porque  a ANS não tenha boas intenções e uma excelente equipa, não possível tão somente porque a Federação existe e é uma espécie de contrapoder, um saco de areia, um peso morto…enfim chamem-lhe o que entenderem!

Este ano as mudanças que a ANS preconiza são indicadoras do espirito correcto que à muito tempo não via no Surf ou no Bodyboard, talvez por andar afastado, mas o certo é que este espirito de serviço público e transparência…esta forma translucida, transparente….a intenção genuína de querer que o circuito funcione, que apareçam empresas ou clubes para fazer provas é coisa quase desusada neste meio que fazemos parte e faz me querer contribuir com algumas ideias também com a minha leitura que é a que se segue!

(próximo post)

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A minha casa em Paço D`Arcos olha!

1 Comentário Add your own

  • 1. Henrique Silva  |  Março 12, 2009 às 11:42 pm

    Caro amigo,

    Fico contente de trazeres, neste teu renovado blog que já não visitava há alguns meses pela falta de actualização dos posts (aliás o último deixou-me muito contente, que foi o teu regresso ao nosso querido mar com outro dinossauro do BB tuga), um assunto ao qual dedico alguns pensamentos – a organização dos desportos de ondas em Portugal (falando de países… nem quero falar do outro post relacionado com a tentativa de aculturação agressiva da manta de retalhos a que alguns chamam espanha…). Sou totalmente a favor da saída de “casa” do “irmão pobre” dos desportos de ondas (o BB) da FPS. Quanto mais não seja porque a mesma não representa o BB nem os seus interesses. Dá umas migalhas ao BB (é normal quando o seu nome continua a ser “FP Surf”) e condiciona, e de que maneira, a evolução do BB que é só o desporto (dentro dos desportos relacionados com as ondas) que mais títulos dá a Portugal (Campeonatos Europeus, mundiais ISA, etc.). Nunca gostei das descriminações (aliás de qualquer género) surf/bodyboard, até porque, entre o meu grupo de amigos, cada qual diverte-se à sua maneira (entenda-se com diferentes tipos de pranchas), todos vamos fazer ondas juntos e todos adoramos a nossa praia (Carca claro!) e as nossas raízes, no entanto, acho que este é o momento de dizer “basta!!!!”. Prefiro uma APB (e um grande abraço ao Paulinho pelo trabalho e dedicação) inicialmente com menos recursos que uma FPS que coloca sempre um desporto à frente dos outros e, estrategicamente, estrangula o potencial de crescimento de uma modalidade que pelos vistos nos anos 90 assustou muita gente. Na mesma perspectiva, percebo o aparecimento da ANS e as confusões e medos que isso gerou em algumas pessoas subsidiadas pelo estado (que somos todos nós) … a ver vamos se também aqui a mesma lógica prevalece.
    Um grande abraço Birro
    Ricki

    Responder

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