Fim de ciclo no universo de Wong Kar Wai!

Maio 11, 2008 at 8:49 pm Deixe um comentário

Li algures aqui que o realizador diz que fazer este filme na América ou em outro sítio qualquer seria igual, fê-lo por razões de ordem práctica uma vez que queria trabalhar coma Nora Jones…e quis muito bem!

O Wong Kar Wai é talvez o meu realizador favorito, parece-me que estamos neste filme em fecho de ciclo sobre o tema “amor” na sua obra.

O primeiro filme “in the mood for love” fala-nos sobre o tema duma forma solta, através do cruzamento de histórias muito fortes e de situações intrincadas, complexas e inusitadas. O que me ficou foi a forma como o amor pode surgir, pode crescer, pode não dar resultado e a certeza da inevitabilidade do sofrimento e também da idiotice de tudo aquilo…sempre me pareceu mais fácil não me apaixonar, dá menos trabalho e o filme vem confirmar esta minha suspeição!

Já no 2046 o tema ainda me é mais afecto, aquela estação perdida no tempo e no espaço para onde muitos vão mas nunca volta é uma analogia interessantíssima sobre a consequência do amor nas pessoas, das mazelas e feridas abertas, para sempre abertas que deixa uma relação baseada no amor e sobretudo o seu inevitável fim.

Este “My blueberry nights” fecha o ciclo e fala sobre o voltar a amar!….sobre a possibilidade de acreditar, de ter coragem e de conseguir (após uma viagem, uma travessia do deserto) voltar a estar disponivel (in the mood..) para querer um envolvimento sentimental com uma pessoa do sexo oposto (ou do mesmo). No site oficial aparece esta pergunta “Qual é a distância entre um coração partido e um novo começo?…como é que se mede? em quilómetros?…em memórias?” e a pergunta é respondida no filme duma forma sempre poética, sempre sensivel e quase reinventando os road moovies americanos.

Como nos filmes anteriores o Wong Kar Wai vai entre cortando a história central com outras histórias periféricas sobre o mesmo tema e duma forma muito forte apresenta-nos aqui um tipo acabado por uma decepção amorosa, este policia (David Strathairn) que foi parar a 2046 por causa da sua ex-mulher (Rachel Weiz) que o abandona após um casamento perturbado por estórias de alcoolismo. No fim desta conturbada e suberbamente interpretada estória o Policia acaba por suicidar mandando o automóvel contra um poste no local exacto onde conheceu a mulher! Fantástico. Outra estória pararela é a dum amor entre pai e filha (Natalie Portman) e aqui não passa o Wong kar Wai dum ligeiro aflorar do tema, perdendo-se antes na alquimia de cores e planos do jogo de cartas dos casinos americanos, ainda bem que o faz pois o seu pastiche, a recriação de ambientes e a vivacidade das suas soluções são do melhor cinema do mundo!

O final do filme está a adequado, em termos puramente pessoais aquele final parece-me apenas e só a possibilidade de regressar ao inicio do ciclo e certamente voltar desenrolar do mesmo com as mesma consequências e desta prespectiva o trabalho torna-se ainda mais interessante e inteligente!….a não perder!!..é um Wong Kar Wai mesmo, não é contrafacção americana!

PS-Não falei do Jude Law de propósito, não vale senão esta nota em psot scriptum…não aquece e não arrefece.

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Angola e os suspeitos do costume! …a ver

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