um monstro na sala!….caramelo em versão ternura e um país demasiado perverso até para os novos! – 1º

Março 17, 2008 at 11:19 am 1 comentário

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Foi o que eu vi quinta feira à noite no meu regresso ao cinema….um monstro de representação em pleno desempenho profissional.

Daniel Day Lewis tem uma performance brutal e inesquicévil no filme “there will be Blood”….não me lembro de uma performance assim tão marcante no cinema que chega do lado de lá desde o Apocalipse Now ou do primeiro padrinho.
De resto sobre o próprio filme não existe muito a dizer, o Paul Thomas Anderson faz uma incursão em terrenos demasiado pantanosos para ele, o seu ambiente não é aquele, o seu ambiente é o de Punch Drunk Love…o realizador está muito em casa quando filma nos suburbios da grande cidade e imprime um tom monocórdico e consistente a personagens vulgares que vivem dramas irrelevantes, aí nesse território que é o seu ele faz magia….no deserto da fronteira americana ele está fora de pé….claramente excedeu-se numa tentativa de fazer cinema europeu, que muito embora seja legitima e até desejada, não é conseguida de todo com este filme….aquilo parece uma coisa quase sueca ou dinamarquesa, tenta apanhar uma visão da vastidão do território da aridez das pessoas e aposta na banda sonora para reivindicar um silêncio óbvio que destaque a frieza e crueldade de um ou outro momento em particular….parece-me pouco.

O padre do filme é um exagero, um prolongamento maniqueísta de imposição de uma determinada visão do mundo, o elemento escolhido para a pretensão de fazer alguma coisa com o filme…..é uma estupidez esta mania dos americanos em tentar ensinar alguma coisa de útil ao espectador. Aquela cena final é uma desgraça, aliás toda a parte final do filme é patética, com aquele filho numa mais que previsível cena com um pai insensível e aquela medonha coisa de discursos histéricos e agressivos…..as personagens saiem mal tratadas mesmo e só o Daniel Day lewis é que consegue pelo meio daquilo encontrar caminho de alguma coerência para o seu papel….ainda assim é um lástima.

 anderson_pt355013640_150x200.jpg    there-will-be-blood-poster.jpg   2008_01_04_therewillbeblood.jpg

  Salva-se a fotografia do filme, a sua luz a intensidade com que se filma aquele ambiente árido….não tivesse estória naquilo, tipo gus van zant  quando filma o Gerry e tinha sido um pleno de cinema, assim foi apenas um passeio pela qualidade de trabalho do Daniel Day Lewis o que sendo bom não é merecedor de tanto alarido como o que tem sido feito à volta disto.

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…Raizes! that`s what she wants!

1 Comentário Add your own

  • 1. maria  |  Março 20, 2008 às 5:55 pm

    Miss yaaa too ! :-}}

    Well, encontro-o de regresso em grande força e com aquele espírito crítico mais aguçado do que nunca.

    Li em diagonal, enquanto espero por uma reunião marcada para as seis da tarde nesta véspera de fim de semana prolongado e com a perspectiva de ainda ter de ir fazer uma viagem de 3 horas.

    Mas enfim, permita-me acrescentar a minha perspectiva: o padre é uma caricatura e fez-me rir. O Lewis ultrapassou-se neste papel mas já o vinha prometendo à muito tempo. Apenas veio confirmar-me o que eu já sabia sobre as suas capacidades.
    Quanto aos critérios de Hollywood ou de atribuição de prémios, prefiro nem comentar, para não entrar em polémicas.

    Volto cá com mais calma, assim que der.

    Responder

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